Avaliação: Fusion híbrido, o melhor de duas tecnologias

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IMG_2387Carro movido a eletricidade deixa de ser invenção dos filmes e passa circular entre nós. Não se espante, pois ele é simples de usar e reparar
Texto: Edison Ragassi
Fotos: José Nascimento  
Depois de evoluir os motores a combustão, o novo desafio da indústria automotiva mundial é fazer com que os veículos emitam níveis de poluentes aceitáveis. Um destes veículos desenvolvidos para oferecer conforto, segurança sem agredir o meio ambiente é o Ford Fusion Hybrid, fabricado no México.
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O sedã é movido por dois tipos de motores, a combustão e elétrico, eles são integrados na transmissão. Usa o conhecido propulsor Duratec 2.5L, o qual entrega potência máxima de 158 cv a  6.000 rpm e torque de 18,8 kgfm a 2.250 rpm. Ele tem 16 válvulas com comando variável e usa o ciclo Atkinson, o qual mantém a válvula de admissão aberta por mais tempo. Isso reduz o volume de ar no pistão e diminui consideravelmente as perdas do motor.

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Já o elétrico tem 107 cv disponíveis a 6.500 rpm e torque de 22,9 kgfm a 3.000 rpm. Combinados, os motores oferecem 193 cv a 6.000 rpm.
Para distinguir as conexões do sistema de alta tensão é muito simples, pois toda a fiação é identificada pela cor laranja.

“Para o reparador independente, a fiação laranja representa: não ponha a mão”, alerta Edson Roberto de Ávila, diretor técnico responsável do Departamento Técnico de Manutenção Preventiva e Corretiva de Autos Mingau, localizado em Suzano(SP).

E ele tem razão, isso porque o motor elétrico é alimentado por uma bateria feita em níquel-metal hidreto com alta capacidade de 250 V–275 V. Ela foi desenvolvida em parceria com a Sanyo.  É recarregável pela própria ação energética do veículo, sem a necessidade de ligações externas e tem garantia de 8 anos.
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Já o motor a combustão, não oferece dificuldades para reparar. “As velas são de fácil acesso, assim como a bateria do sistema 12 volts, a correia Poly V tem o tensionador na parte superior, todos simples de localizar”, comenta Edson.

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Esta opinião é compartilhada com Silvio Ricardo Candido da Peghasus Powerred Motors, oficina localizada na zona norte de São Paulo. “A troca de óleo, velas, filtro de óleo, correia é normal, o importante é não mexer na fiação laranja”, fala Silvio.
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Este modelo é equipado com um filtro de ar que não necessita de substituição, ele é garantido para toda a vida útil do veículo.
O motor usa corrente no lugar da correia tensionadora, o sistema de ar-condicionado e a direção elétrica trabalham em 12V convertidos da energia do sistema de alta tensão (bateria que movimenta o motor). 
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Outro detalhe que chamou a atenção dos reparadores é que o motor usa dois reservatórios de arrefecimento. Um é o convencional pressurizado para atuar com o propulsor  a combustão, e outro não pressurizado refrigerar o motor elétrico acoplado com um gerador e integrado à transmissão. O líquido utilizado em ambos os reservatórios é o mesmo.
Já a localização do reservatório do liquido de arrefecimento para o propulsor elétrico dificulta o acesso ao sistema de servo freio, pois ele está logo acima do componente.
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O sistema de suspensão dianteiro do Fusion Hybrid é Independente tipo SLA (Short–Long Arm), com barra estabilizadora, amortecedores pressurizados e molas helicoidais. E na traseira independente tipo multi-link com barra estabilizadora, amortecedores pressurizados e molas helicoidais. Apesar da maioria dos veículos usarem na dianteira suspensão tipo McPherson, Silvio e Edson não perceberam dificuldades ou necessidade de ferramentas especiais para realizar manutenção, substituição ou reparo, isso também ocorre no sistema traseiro de suspensão.  
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Ao frear o carro a energia gerada pelo processo é enviada para a bateria, apesar disso, na hora de trocar discos e pastilhas o processo é normal e não exige cuidados especiais.
O carro não tem alternador, uma vez que o motor elétrico monitora e mantém a bateria 12V carregada.

Apesar de ser um dos veículos mais modernos fabricados no mundo, o Fusion Hybrid tem manutenção e reparo simples, mas o sistema motriz elétrico necessita de assistência especializada.
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Dirigir o híbrido da Ford é muito prazeroso e faz com que o condutor repense seus hábitos. Ao girar a chave o motorista não ouve nada, ele pode até pensar que o carro não ligou, mas ele esta ativo como mostra a luz verde no painel. Caso a bateria do sistema 12 volts esteja descarregada, o carro não liga, mas ele é acionado se estiver sem gasolina e a bateria de alta voltagem carregada. 
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Ele tem arranque forte, só que para isso é preciso pressionar o acelerador e ai ele desativa o motor elétrico e passa para o a combustão. Então o ideal é ir com calma, e assim economizar gasolina.
Ao dirigir o carro com velocidade de até 75 km/h ele é impulsionado pelo motor elétrico. O câmbio e-CVT (transmissão continuamente variável) com engrenagens planetárias, é o responsável pela troca de motor sem trancos ou solavancos.
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Durante o período de testes, por várias vezes, trafeguei na Avenida 23 de maio em São Paulo, andando em velocidade média de 70 km/h. E o Fusion só no motor elétrico, por isso é muito importante dosar o pé na hora de acelerar. Aliás, o carro incentiva o uso do propulsor elétrico, pois do lado direito do painel, aparece um caule e folhas que crescem.

Quanto mais ele usado no módulo elétrico, mais elas aumentam. Ao final do percurso ele mostra o quanto foi gasto de gasolina simbolizando não só a economia de combustível, mas também o quanto deixou de emitir de poluentes.
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Economia é o ponto forte deste carrão, no total rodei 524 km com ele, alternando uso na cidade e rodovia. Ao final, o computador de bordo mostrou consumo médio de um litro de gasolina para rodar 12 quilômetros, ou seja, semelhante ao de um carro com motor 1.0L.
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E na rodovia, o desempenho é exemplar. Estável nas curvas, boa potência para realizar ultrapassagens, as trocas de marchas do e-CVT são imperceptíveis e as frenagens precisas, seguras.
O preço sugerido para venda do Ford Fusion Hybrid fabricado no México é de R$133.900. 

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De série ele é equipado com: Sistema SYNC multimídia, ele inclui CD-player/MP3, DVD player, entrada USB e para iPod, conexão para celular Bluetooth, com comandos de voz e jukebox com 10GB de memória, abertura das portas por teclas, tomada de 110 volts e teto solar elétrico, 7 air bags, acendimento automático dos faróis, controle eletrônico de estabilidade (AdvanceTrac), espelhos retrovisores elétricos, aquecidos e com luz de aproximação, sistema de segurança “Personal Safety System”, piloto automático, 12 alto-falantes, sensor de pressão dos pneus, banco do motorista elétrico com 10 direções, chave configurável MyKey, sistema de monitoramento de pontos cegos e tráfego cruzado, câmera de ré e sensor de chuva.
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Colaboraram: Ford Motor Company, Concessionária Ford Sandrecar- São Bernardo do Campo, Departamento Técnico de Manutenção Preventiva e Corretiva de Autos Mingau e Peghasus Powerred Motors.

Ficha técnica
Fusion Hybrid
Motor:    2.5 L DOHC Ciclo Atkinson I-4/ Elétrico
Número cilindros:    4 em linha
Cilindrada (cm³): 2.488
Válvulas:    16
Injeção de combustível: Digital, Multiponto e sequencial
Taxa de compressão:    12,3:1
Potência máxima:    158 cv a 6.000 rpm
Torque máximo:    18,8 kgfm a 2.250 rpm
Combustível:    Gasolina/Elétricidade
Posição das válvulas:    4 por cilindro no cabeçote
Tipo de comando: No cabeçote, com sistema variável de abertura na admissão (i-VCT)
Tipo de acionamento de comando: Por corrente
Material dos cilindros: Alumínio
Material do bloco: Alumínio
Bateria: 12 V/48 Ah/ 500 CCA
Ignição: Eletrônica multiponto seqüencial
Bateria de tração: 275 V
Motor elétrico
Potência máxima: 107 cv a 6.500 rpm
Torque máximo: 22,9 kgfm a 3.000 rpm
Potência máxima combinada: 193 cv a 6.000 rpm
Transmissão
Modelo: Automática e-CVT
Freios:    A disco, dianteiro e traseiro, servo-assistido e com sistema ABS de 4 canais e frenagem regenerativa para recuperação de energia
Diâmetro do disco: 300 mm (diant.)/ 279 mm (tras.)
Capacidades
Porta-malas: 405 litros
Tanque de combustível: 66 litros
Óleo do motor: 4,7 litros
Sistema de refrigeração: 6,5 litros

Custos de manutenção
Amortecedores dianteiros: R$265,00- cada
Serviço: R$210,00
Amortecedores traseiros: R$170,00- cada
Serviço: R$210,00
Discos de freios dianteiros: R$475,00- cada
Serviço: R$70,00
Jogo de pastilhas dianteiras: R$423,00
Serviço: R$70,00
Discos de freios traseiros: R$390,00- cada
Serviço: R$70,00
Jogo de pastilhas traseiras: R$380,00
Serviço: R$ 70,00
Troca de óleo de motor: R$ 232,00 (inclui óleo e filtro)
Serviço:  - 
Filtro de combustível: não usa
Filtro anti-polén: R$30,60
Serviço: R$70,00
Velas: R$29,60- cada
Serviço: R$70,00

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autoagora

7 Comentários to Avaliação: Fusion híbrido, o melhor de duas tecnologias

  1. Seria interessante uma atualização na avaliação após dois anos de lançamento do carro. Há opções por menos de R$ 80 mil no mercado, mas os segredos da manutenção da tecnologia híbrida ainda assustam…

  2. Este ano a Ford lançará, provavelmente em março, a nova geração do Fusion hibrido. Depois de lançado vou fazer a mesma matéria e atualizar os custos de manutenção e peças. Agora a desvalorização dos modelos importados de uma maneira geral é simplesmente assustadora. E isso não tem como fugir. Obrigado pelo contato e participe sempre.

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