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30/03/2026
Gasolina em alta: será que a regra dos 70% para o etanol ainda vale?
Com a gasolina em alta, motoristas voltam a fazer as contas para ver se o etanol ainda vale a pena. Mas será que a regra dos 70% para o etanol ainda vale? Enquanto isso, o governo federal estuda aumentar a mistura de biocombustíveis nos combustíveis fósseis. A ideia é criar uma viabilidade técnica das misturas E35 (35% de etanol na gasolina) e B25 (25% de biodiesel no diesel).
Porém, antes que a nova mistura chegue, a tradicional regra dos 70% já não vem mais dando conta de orientar o motorista sobre a melhor escolha. O cálculo simples, que por décadas serviu de referência ao consumidor brasileiro na hora de abastecer, não tem mais precisão à medida que variáveis econômicas, avanços tecnológicos e questões ambientais ganharam peso.
Ou seja, mais do que nunca, a decisão passa a depender do contexto, do perfil de uso e até das expectativas em relação ao mercado de energia. Veículos mais modernos reagem de forma distinta a cada combustível, com padrões de consumo que já não seguem as referências. Em alguns casos, a eficiência do etanol evoluiu; em outros, a gasolina entrega desempenho mais consistente.
A regra dos 70% não morreu; ela ainda funciona como ponto de partida. Mas ela foi calibrada para um Brasil de 2003, com gasolina E27 e motores flex de primeira geração. Em 2026, a conta correta depende de três coisas: qual carro você tem, em qual estado você está e qual período diante da volatilidade e da safra o consumidor está.
Como saber se o etanol compensa em relação à gasolina?
Como o etanol tem menor poder energético, entregando cerca de 70% do rendimento da gasolina, costuma-se usar uma conta simples para orientar os motoristas de veículos flex na hora da escolha do combustível.
A lógica é simples: multiplica-se o preço da gasolina por 0,7 e compara-se o resultado com o valor do etanol. Se o número encontrado for menor que o preço do etanol, a gasolina é mais vantajosa. Se for maior, o etanol passa a compensar.
Por exemplo, se a gasolina custa R$ 7,20, o ponto de equilíbrio fica em R$ 5,05. Nesse cenário, abastecer com etanol só faz sentido se o litro estiver abaixo de R$ 5.
Dados recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis mostram que o etanol segue mais competitivo, em média, em apenas três estados: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Nessas regiões, a relação entre os preços gira em torno de 69%, levemente abaixo do limite clássico de 70%. Ainda assim, a margem é estreita, o que indica que sutis variações nos preços já podem alterar a vantagem entre os combustíveis.
Mas a conta do posto está errada?
A famosa regra dos 70% sobreviveu aos anos e já virou senso comum, mas a realidade de 2026 exige atualização. O preço médio do etanol no Brasil subiu de R$ 4,64 para R$ 4,70 o litro, alta de 1,29%, segundo levantamento da ANP. Já a gasolina fechou a média nacional em R$ 6,46 o litro em março.
Porém, desde agosto de 2025, a gasolina E30 entrou em vigor, ampliando a mistura obrigatória de etanol anidro de 27,5% para 30%. Ou seja, isso muda a equação, uma vez que o motorista está comprando etanol embutido. Portanto, aquela gasolina ‘pura’ do cálculo original não existe mais no posto.
Já no caso dos motores flex modernos, o rendimento com etanol é diferente. Um motor flex moderno pode render até 75% com etanol em relação à gasolina, em vez dos 70%. Tudo isso por conta da maior octanagem do etanol, que permite mais avanço de ignição. Veículos lançados a partir de 2020 frequentemente alcançam paridades de 73% a 75% sem perda de desempenho.
Cada conta com um tipo de motor?
Com gasolina a R$ 6,46 (média nacional, semana de 8–14/mar/2026):
| Perfil do carro | Coeficiente real | Etanol compensa até |
|---|---|---|
| Flex aspirado pré-2015 | 0,65 – 0,70 | R$ 4,20 – R$ 4,52 |
| Flex aspirado pós-2015 | 0,70 | R$ 4,52 |
| Flex turbo moderno | 0,73 – 0,75 | R$ 4,72 – R$ 4,85 |
Para quem está em SP: o etanol fechou a semana a R$ 4,52, com paridade de 69,11%. No caso de carros antigos, a recomendação é utilizar gasolina. Para turbo moderno: etanol compensa.
Conclusão da regra dos 70%
A regra dos 70% não deixou de existir. Ela ainda serve como ponto de partida. Mas foi calibrada para um Brasil de 2003, com gasolina E27 e motores flex de primeira geração. Em 2026, a conta correta depende de três fatores: o carro que você dirige e o estado onde você abastece. Na média nacional, a gasolina tende a levar vantagem na maior parte do tempo.
Mas como saber o real consumo do carro?
Na avaliação de eficiência veicular, o Inmetro não se limita ao tradicional km/l e também considera o consumo por energia, medido em joules. Isso ocorre porque cada combustível possui um poder energético diferente do etanol, por exemplo, que contém menos energia por litro do que a gasolina.
Para corrigir essa distorção, o consumo é convertido em energia por distância (MJ/km), permitindo uma comparação mais precisa entre veículos, independentemente do combustível utilizado. Na prática, dois carros podem registrar o mesmo km/l, mas demandar quantidades distintas de energia para se movimentar, o que revela níveis diferentes de eficiência. Por isso, a medição em joules é considerada tecnicamente mais adequada, ao indicar quanta energia o veículo realmente consome para rodar.
