Inventário revela peso do transporte rodoviário nas emissões

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Inventário revela peso do transporte rodoviário nas emissões

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em parceria com o Ministério dos Transportes, disponibilizou o Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos Automotores Rodoviários. A publicação consolida uma série histórica de 45 anos (1980–2024) e representa um instrumento estratégico para a formulação, o monitoramento e a avaliação de políticas públicas voltadas à qualidade do ar, à saúde pública e à mitigação da mudança do clima. 

O inventário é um dos instrumentos previstos na Política Nacional de Qualidade do Ar (PNQA), instituída pela Lei nº 14.850/2024, marco legal que define diretrizes, objetivos e mecanismos para a gestão da qualidade do ar em todo o território nacional.  Acesse o inventário.

O secretário nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do MMA, Adalberto Maluf, afirmou que o instrumento fortalece a tomada de decisão baseada em evidências e apoia a implementação de programas voltados à redução de emissões no transporte rodoviário.

“O inventário integra a agenda do clima e da qualidade do ar, que são crises irmãs. A crise da poluição é a mesma crise que gera o aquecimento global”, destacou.  

Relatório integra Poluentes Climáticos de Vida Curta

Além do monitoramento de poluentes tradicionalmente regulamentados, como monóxido de carbono (CO), óxidos de nitrogênio (NOx) e material particulado (MP), e de gases de efeito estufa, como dióxido de carbono (CO2) e óxido nitroso (N2O). O levantamento passa a incorporar os Poluentes Climáticos de Vida Curta (PCVC), com destaque para o metano (CH4) e o carbono negro (BC). A publicação também inclui emissões por desgaste de pneus, freios e pista, além de emissões evaporativas. 

O relatório apresenta ainda a evolução da frota nacional por categoria. Em 2024, o país ultrapassou 71 milhões de veículos em circulação, sendo 63% de automóveis, 25% de motocicletas, 9% de veículos comerciais leves, 3% de caminhões e menos de 1% de ônibus. A série histórica passa a contemplar também veículos elétricos e híbridos, além de trazer a desagregação das emissões por unidade da federação. 

Emissões de Carbono  

O estudo aponta que as emissões de dióxido de carbono equivalente (CO₂eq) cresceram cerca de 8% entre 2012 e 2024, acompanhando a expansão da frota. Em 2024, os automóveis responderam por 34% das emissões de CO₂eq, enquanto os caminhões semipesados concentraram 22% do total. No mesmo período, o dióxido de carbono (CO₂) representou 97% das emissões do setor de transporte rodoviário. 

O balanço registrou ainda uma queda expressiva nas emissões de monóxido de carbono (CO), que passaram de 5,5 milhões para 1 milhão de toneladas desde 1991. As emissões de óxidos de nitrogênio (NOx) apresentam redução significativa desde o fim dos anos 1990, sendo o diesel responsável por 87% do total.  

No caso do material particulado (MP), as emissões por combustão recuaram para menos de 18 mil toneladas em 2024, totalizando 38 mil toneladas quando consideradas também as emissões por desgaste.  Já o carbono negro (BC) soma cerca de 8 mil toneladas provenientes da combustão, com aumento das emissões associadas ao desgaste. 

O levantamento mostra ainda que o metano (CH₄) mantém trajetória de redução contínua desde os anos 1990, sendo os automóveis responsáveis por 45% das emissões atuais. Os compostos orgânicos voláteis não metânicos (NMHC) registraram forte diminuição nas últimas décadas, com tendência recente de estabilização. Em sentido oposto, o óxido nitroso (N₂O) apresenta aumento associado à renovação tecnológica da frota.  

Quanto ao dióxido de carbono (CO₂), principal gás emitido pelo setor, foram registradas 270 milhões de toneladas em 2024, das quais 42% são provenientes de automóveis e 40% de caminhões, evidenciando o peso do transporte rodoviário nas emissões nacionais de gases de efeito estufa. 

A iniciativa contou com apoio financeiro da Climate and Clean Air Coalition (CCAC), coalizão global vinculada à ONU voltada à redução de poluentes climáticos de vida curta, e apoio técnico do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), responsável pela execução do inventário. 

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