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No Brasil, se discute pouco os kits de conversão de veículos elétricos devido ao alto custo da tecnologia e à falta de profissionais. Com isso, vem crescendo o número de soluções caseiras, como a troca de motores de combustão por elétricos em Fusca. Tudo feito pelo próprio dono.
O professor Pedro Luiz Côrtes, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente (IEE), ambos da USP, esclarece que oficialmente não é permitido por lei fazer a conversão. Mas, ele ressalta que o Departamento Estadual de Trânsito pode analisar o pedido e pedir exigências para homologar o veículo.
Ainda assim, ele explica que “é possível encontrar no Youtube muitos vídeos em que o pessoal pega principalmente os Fuscas, tira o motor original e coloca um motor usado de empilhadeira elétrica, que ele compra a R$ 500,00, baterias também usadas em empilhadeiras, e monta um sistema de gestão de recargas”. Côrtes fala que, gastando em torno de R$ 12 mil, o proprietário transforma o Fusca em carro elétrico. Esses carros atingem velocidade de 80 a 100 km por hora e rodam cerca de 100 km, um carro para uso urbano.
Soluções já existem. O que falta é a regulamentação
Para o professor, essa solução é bastante interessante, pois o mercado já oferece, por exemplo, nos Estados Unidos, especialmente na Califórnia, kits para converter motores a diesel e gasolina em elétricos.
Na avaliação dele, o Brasil também pode adotar esse modelo. O país poderia criar um mercado relevante de serviços, estimular a indústria do setor e atender segmentos como o transporte de mercadorias e as entregas domiciliares.
Desta forma, ele explica, passaria a criar um mercado promissor, que facilitaria para a indústria a venda de carros elétricos no futuro, e até pontos de recarga.
Renault tem solução oficial
A Renault, por exemplo, tem na França um serviço de transformação do Furgão Master III a diesel para uma versão elétrica. Por lá, os veículos a combustão estão cada vez mais restritos às cidades europeias e por isso a demanda.
O serviço atende o Renault Master III e a equipe realiza a conversão na Fábrica de Fábrica de Flins, na França. A empresa TOLV participa do processo e já realiza, há algum tempo, conversões semelhantes em veículos utilitários de uso privado.
O primeiro kit de conversão surgiu em 2022 no Renault Trafic, mas só agora a demanda aumentou por conta das zonas de baixa emissões.
Quanto tempo dura a transformação do furgão
O serviço de conversão demora três semanas. A equipe retira a transmissão, o motor antigo, o sistema de escapamento e outros componentes para instalar um motor elétrico síncrono de 81 cv e uma bateria de 52 kWh, composta por 12 módulos e 192 células. A autonomia passar a ser de 200 quilômetros, distância suficiente para distribuições urbanas.
Outro lado positivo é que a transformação custa 26.900 euros (R$ 167 mil conforme a cotação de 18/02/2026). A Renault oferece garantia de dois anos, independentemente da quilometragem para o kit e quatro anos ou 150 mil km para a bateria.
Por fim, a Renault Refactory é a primeira fábrica europeia de economia circular dedicada exclusivamente à mobilidade. Ou seja, trata-se de um complexo industrial com toda a experiência da Renault para cuidar da montagem e controle de qualidade destes kits de conversão.
