
Kits de conversão de veículos elétricos é pouco explorado
24/02/2026
perspectivas 2026 mostram juros e dificuldades na transição tecnológica
O Brasil é o oitavo maior produtor mundial de veículos, representando cerca de 2,5% da produção global. Para o sócio líder do setor automotivo da KPMG no Brasil, Ricardo Roa, as perspectivas 2026 mostram juros e dificuldades na transição tecnológica.
Segundo ele, há alguns temas que podem afetar o avanço dos resultados da indústria no Brasil e que precisam ser levados em consideração, entre eles, os reflexos dos juros e a reforma tributária.
Previsão 2026: Indústria enfrenta juros e transição tecnológica
“A taxa de juros em 15% influencia as operações e as perspectivas da indústria automotiva, que foram apontadas para baixo neste ano e poderão impactar os futuros negócios. Além de todos os desdobramentos geopolíticos, teremos desafios, nos próximos anos, após aprovação da reforma tributária que poderá afetar todos os setores e, principalmente, o automotivo. As empresas estão fortemente avaliando sua operação, cadeia de fornecedores, incentivos, créditos tributários, entre muitos outros aspectos operacionais para embarcar nas demandas de 2026 até 2032”, alerta.
Conforme o sócio da KPMG, as principais tendências para o setor automotivo no próximo ano são as seguintes: pressão de custos e desempenho: enfrentar os desafios devido ao aumento dos preços de energia, matérias-primas e regulamentações.
Veja as recomendações da KPMG
A recomendação é repensar estratégias de preços e melhorar a eficiência operacional. Nova tecnologia e transformação digital: focar em inteligência artificial, conectividade e desenvolvimento de software, mudança de veículos definidos por hardware para definidos por software, flexibilidade e inovação na cadeia de valor.
Sustentabilidade e cadeias de suprimentos resilientes: priorizar a sustentabilidade, reduzir emissões de gases de efeito estufa, melhorar a eficiência de recursos, diversificar os fornecedores, regionalizar a produção e cumprir as metas ESG.
Produção flexível e modular: responder à demanda e produzir de forma eficiente diversos modelos de veículos. Essa adaptabilidade apoia o controle de custos, acelera o tempo de lançamento e aumenta a resiliência em ambientes voláteis.
Vendas digitais vão fortalecer a fidelidade
Expectativas do cliente e vendas digitais: atender às expectativas e demandas dos clientes por experiências digitais e em dados para fortalecer a fidelidade à marca.
Urbanização crescente: solucionar gargalos relacionados à mobilidade compacta, flexível e integrada para atender à demanda de infraestrutura. Até 2050, estima-se que 68% da população viverão em áreas urbanas.
Mudanças no comportamento: entender o comportamento do mercado, como a substituição de propriedade individual de veículos por modelos baseados em compartilhamento e assinatura.
Programa Mover
Entre eles está o Programa de Mobilidade Verde e Inovação (Mover), que deve direcionar investimentos até 2029. O programa já está em andamento, mas ainda depende de regulamentações relevantes.
Outro ponto é o custo do crédito, impactado pela variação da demanda no mercado interno e pelo aumento da produção de veículos. Também entram no radar a produção nacional e o desempenho das exportações.
A possível guerra tarifária é outro fator de risco. Afinal, ele pode elevar os custos tanto de veículos importados quanto dos nacionais.
Por fim, o setor acompanha o debate sobre o IPI Verde, que pretende combinar preços mais acessíveis. A partir de 2027, o mecanismo deve migrar para o modelo de Imposto Seletivo, tema que tende a ganhar força nas discussões do próximo ano.
“O setor automotivo entende à necessidade de avançar em tecnologias de novas propulsões focadas em ajustes de frota, visando à sustentabilidade e descarbonização. O Brasil vem retomando espaço de crescimento e os futuros anúncios para a indústria poderão transformar e diversificar os modelos direcionados para eletrificação. É normal que, neste caminho de transformação, ocorram preocupações de equilíbrio entre mudança de rota tecnológica e poder aquisitivo, aceleração e equilíbrio entre novos portfólios e a infraestrutura nacional. A recomendação é se antecipar, pois globalmente novos entrantes no mercado poderão substituir fabricantes tradicionais, caso não acompanhe a nova jornada”, conclui.
