Produção de veículos continua em alta
Produção de veículos continua em alta
A indústria automobilística brasileira apresenta alta na produção em julho, mas os resultados estão abaixo dos alcançados antes da pandemia
De acordo com balanço divulgado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção de autoveículos em julho chegou a 170,3 mil unidades. Isso representa uma alta de 73% sobre o mês junho, porém, foi 36,2% inferior ao mês de julho do ano passado. Apesar do aumento na produção, foi o pior julho desde 2003 para o setor.
Produção de veículos continua em alta, Luiz Carlos Moraes, Presidente da Anfavea, avalia os resultados. “Além de um número maior de dias úteis, julho foi um mês no qual as montadoras e concessionárias fizeram um grande esforço. Isso para recompor o caixa prejudicado pela longa quarentena. Mas o ritmo de vendas diário foi apenas 20% superior ao de junho. Por isso demanda cautela na análise de como será a recuperação no segundo semestre. Ainda temos uma pandemia que não deu trégua, com casos crescentes de Covid-19 em estados importantes do país. É como se estivéssemos numa estrada sinuosa e com forte neblina, com grande dificuldade de enxergar o horizonte com clareza”.
No acumulado, ou seja, de janeiro a julho de 2020, a produção total foi de 899,6 mil autoveículos. Isso representa queda de 48,3%, ao comparar com o mesmo período de 2019 quando a indústria produziu 1,74 milhão.
Como ocorre desde o início da pandemia no Brasil, os segmentos de caminhões e máquinas conseguem manter ritmo de vendas e produção acima dos veículos leves, o que não impede perdas na comparação com o ano anterior. O único indicador positivo no acumulado do ano é o de vendas de máquinas agrícolas e rodoviárias, 1,3% superiores às de 2019.
Diante da crise gerada pela maior pandemia dos últimos 100 anos, a Anfavea julga necessário adiar em 2 ou 3 anos as próximas etapas do Proconve para veículos leves e pesados. Não só por uma questão econômica, já que o setor vai perder quase 40% de sua receita neste ano, mas também por uma questão sanitária. Afinal, todos os testes de desenvolvimento foram prejudicados pela quarentena, e continuam em ritmo mais lento para proteção dos profissionais de laboratório e de campo que trabalham nesses projetos.
O presidente da Anfavea, explica quais são os problemas enfrentados. “Uma crise dessa dimensão vem afetando todos os campos profissionais, e não é diferente com nossa indústria. Somos a favor das novas etapas de redução de emissões, cujo cronograma ajudamos a elaborar. Essa sugestão de breve adiamento não afeta nosso compromisso com o meio ambiente. Após todos os investimentos e esforços feitos desde a década de 1980, com resultados mensuráveis na ponta do escapamento e na qualidade do ar, chega a ser intelectualmente desonesto colocar o ônus da poluição das cidades nos veículos atualmente em produção, essencialmente limpos”, conclui.
O número de emplacamentos de veículos, segundo os dados levantados pela Fenbrave, também cresceram, apesar disso, a Anfavea projeta que a queda na produção este ano será de 40%.
Por: AutoAgora.com.br/ Fotos: Divulgação