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26/02/2026
Recarga elétrica avança do condomínio às rodovias no Brasil
A expansão da recarga elétrica no Brasil já não se limita a projetos-piloto ou pontos isolados em capitais. A infraestrutura avança simultaneamente em condomínios residenciais, centros urbanos e corredores rodoviários, criando uma nova geografia para a eletromobilidade.
O movimento acompanha o crescimento da frota de veículos elétricos e híbridos plug-in e pressiona síndicos, incorporadoras, concessionárias de energia e operadores de rede a estruturar soluções técnicas, regulatórias e comerciais para atender à nova demanda. Veja a seguir o artigo de Júnior Miranda, CEO da GreenV.
Do condomínio à estrada: a nova geografia da recarga elétrica no Brasil
Vivemos um momento decisivo na transição para a mobilidade elétrica. O que antes era um movimento concentrado em nichos de inovação e sustentabilidade, hoje se consolida como uma transformação estrutural nos transportes, impulsionada pelo aumento de veículos elétricos e pela rápida expansão da rede de recarga.
De acordo com os dados mais recentes da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), o país encerrou setembro de 2025 com 16.880 eletropostos públicos, um aumento de 58,92% em relação ao último ano e de mais de 290% comparado a 2023. O crescimento foi puxado pelos pontos de recarga com carregadores rápidos (DC), saindo de 2.430 para 3.855 e representando um crescimento de 59%. Por outro lado, os pontos de recarga lenta (AC) avançaram somente 5%, aumentando de 12.397 para 13.025 pontos.
Amadurecimento do ecossistema de mobilidade
Esses avanços refletem o amadurecimento do ecossistema de mobilidade elétrica e a crescente confiança de consumidores, montadoras e investidores na eletrificação do transporte. Estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, além do Distrito Federal, concentram, juntos, mais da metade dos pontos de recarga, com destaque para São Paulo, que, sozinho, representa 28,3% do total nacional, somando 4.777 eletropostos.
Embora a expansão da rede pública de recarga tenha ganhado tração nos últimos anos, o Brasil ainda está distante dos mercados mais consolidados. Hoje, a razão entre veículos plug-in e carregadores públicos no país gira em torno de 20 para 1. Em comparação, a Europa já opera com uma média de 12 veículos por ponto de recarga, enquanto a China, referência global em eletromobilidade, alcança um patamar ainda mais avançado, com cerca de 9 veículos para cada carregador público. Os números deixam claro que, apesar do avanço recente, há amplo espaço para expansão da rede brasileira.
Carregadores particulares têm impulsionado a adoção de veículos elétricos
Por trás desses dados está um fator que muitas vezes passa despercebido, mas que exerce enorme impacto sobre a infraestrutura: o avanço dos pontos de recargas particulares, instalados em residências, condomínios, empresas e frotas corporativas, que não aparecem integralmente nas estatísticas oficiais e têm sido fundamentais para sustentar a expansão do uso de veículos elétricos.
A ascensão dos carregadores particulares tem impulsionado a adoção de veículos elétricos mesmo em regiões que ainda carecem de ampla cobertura de recarga pública. O consumidor que instala um ponto de recarga em casa ou no trabalho não apenas assegura sua autonomia, mas também contribui para equilibrar a demanda, aliviando a pressão sobre a infraestrutura pública e fortalecendo a construção de uma rede mais distribuída e inteligente.
Em 2025, a curva de crescimento dos eletropostos mostra que o Brasil entrou definitivamente em uma nova fase da mobilidade elétrica: mais madura, descentralizada e colaborativa. O crescimento dessa rede de recarga demonstra não apenas o aumento de veículos elétricos, pois já são 350 mil unidades veículos Plug-Ins (BEV + PHEV) rodando pelo Brasil, mas também o fortalecimento de uma infraestrutura que se expande em ritmo acelerado.
A expectativa da GreenV para 2026
Para 2026, nossa expectativa na GreenV é seguir na liderança do desenvolvimento de pontos de recargas privados, bem como ampliar a rede de eletropostos com carregadores públicos de carga rápida, possibilitando assim mais opções de recarga tanto para o consumidor final, quanto para outros players que se beneficiem de uma recarga rápida. Isso consolidará um modelo de infraestrutura mista, mais resiliente e adaptado às diferentes realidades regionais das grandes metrópoles aos centros logísticos e polos industriais.
O progresso da eletrificação é inevitável, mas sua velocidade depende diretamente da capacidade de ampliar o acesso à recarga. A boa notícia é que estamos construindo essa base de forma sólida, com muita tecnologia e todo o protagonismo do setor privado, com colaboração crescente entre montadoras, governos e consumidores.
Se, até então, o mercado de veículos elétricos dependia em grande medida da recarga doméstica, 2025 foi o ponto de inflexão dessa história. Em 2026, os eletropostos públicos consolidarão o mapa da mobilidade elétrica, permitindo pensar a recarga além da garagem de casa.
Por Júnior Miranda, CEO da GreenV.
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