
Mercado de recarga doméstica deve gerar R$ 3 bilhões
26/06/2026
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As montadoras chinesas poderão responder por 30% das vendas de veículos leves no Brasil até 2030, segundo projeção da Bright Consulting. Em um cenário em que as fabricantes tradicionais não acelerem investimentos em eletrificação, inovação e renovação de portfólio entre 2026 e 2027, essa participação pode chegar a 40% do mercado nacional.
A estimativa foi apresentada por Murilo Briganti, COO da Bright Consulting, durante a programação da Future Mobility, realizada no Distrito Anhembi, em São Paulo.
Segundo Briganti, a indústria automotiva atravessa uma transformação estrutural impulsionada pela digitalização, pela eletrificação e pela crescente integração entre software e veículo. “O automóvel deixa de ser apenas um hardware e passa a funcionar como uma plataforma de software, capaz de evoluir continuamente por meio de atualizações e novos serviços”, afirmou.
Ciclo de desenvolvimento mais rápido
Na avaliação da consultoria, a vantagem competitiva das fabricantes chinesas vai além da oferta de veículos eletrificados.
Enquanto montadoras tradicionais levam entre 36 e 48 meses para atualizar um modelo, empresas chinesas conseguem reduzir esse ciclo para 16 a 18 meses, respondendo com mais rapidez às mudanças do mercado e às demandas dos consumidores.
Outro fator que favorece a expansão dessas marcas é o potencial do mercado sul-americano. Somados, Brasil e os principais países da região representam um mercado superior a quatro milhões de veículos por ano, tornando-se um destino estratégico para parte da capacidade produtiva excedente da indústria chinesa.
Carro popular perde espaço para veículos mais tecnológicos
Durante a apresentação, Briganti também destacou a transformação do mercado brasileiro na última década. Segundo ele, o chamado carro popular praticamente desapareceu em razão da incorporação de tecnologias, do endurecimento das normas de segurança, eficiência energética e emissões e do avanço da eletrificação.
Hoje, itens como transmissão automática, conectividade e sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS) estão cada vez mais presentes até mesmo nos modelos de entrada.
Concorrência deve pressionar preços
Apesar da alta acumulada nos preços dos veículos nos últimos anos, a consultoria avalia que o aumento da concorrência poderá mudar esse cenário.
Com a chegada de novas montadoras ao Brasil, a tendência é que o mercado ofereça mais tecnologia por preços mais competitivos. “O preço do carro já deixou de aumentar e a tendência é começar a cair à medida que novas marcas entram no mercado e ampliam a concorrência”, projetou Briganti.
Brasil seguirá caminho próprio na eletrificação
Para a Bright Consulting, a transição energética brasileira deverá ocorrer de forma diferente da observada na Europa e na China.
A expectativa é de convivência entre diferentes tecnologias, incluindo motores flex, híbridos leves, híbridos convencionais, híbridos plug-in e veículos 100% elétricos. Nesse cenário, o etanol continuará exercendo papel estratégico na redução das emissões e poderá representar uma vantagem competitiva para a indústria nacional.
“O Brasil não precisa copiar o caminho seguido pela Europa ou pela China. Nossa vantagem competitiva está justamente na possibilidade de combinar eletrificação, etanol e inovação industrial”, concluiu Briganti.
