
Quer economizar? O segredo pode estar nos pneus
29/06/2026
É possível contratar dois seguros para o mesmo veículo?
O mercado segurador brasileiro segue em expansão, refletindo a crescente preocupação dos brasileiros com a proteção do patrimônio.
Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) mostram que o setor arrecadou R$ 376,7 bilhões no primeiro semestre de 2025, alta de 4,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. No mesmo intervalo, foram pagos R$ 268 bilhões em indenizações, benefícios, resgates e outras coberturas, um crescimento de 8,7%.
O segmento de seguros de danos e responsabilidades, que engloba boa parte dos seguros automotivos, também registrou desempenho positivo. Em 2025, a arrecadação atingiu R$ 144,5 bilhões, avanço de 7,5% na comparação anual, impulsionado pela maior conscientização dos consumidores sobre gestão de riscos e proteção financeira.
É possível manter dois contratos simultaneamente?
Com o aumento da procura por soluções para proteger o veículo, uma dúvida frequente entre os motoristas é se vale a pena contratar duas coberturas para o mesmo automóvel. É possível manter dois contratos simultaneamente? Isso garante uma indenização maior em caso de sinistro?
Segundo Hugo Jordão, especialista em proteção veicular e presidente da Atos Proteção Veicular, a resposta é não.
“Muitas pessoas acreditam que, ao contratar duas proteções para o mesmo veículo, terão direito a receber duas indenizações em caso de perda total ou roubo. Isso não acontece. O sistema de seguros existe para reparar um prejuízo, e não para gerar lucro ao segurado”, afirma.
É possível contratar duas coberturas?
Do ponto de vista legal, não há impedimento para que o proprietário mantenha dois contratos de proteção para o mesmo veículo. O problema surge quando ambos oferecem exatamente as mesmas coberturas, como colisão, furto, roubo ou perda total.
Na prática, em caso de sinistro, o proprietário terá direito apenas à reparação do prejuízo ou à indenização correspondente ao veículo, mesmo pagando duas mensalidades ou prêmios. Ou seja, o custo aumenta sem que haja um benefício proporcional.
Segundo especialistas, a lógica do mercado segurador é recompor o patrimônio do segurado, e não permitir ganho financeiro decorrente do mesmo evento.
Quando duas coberturas podem ser vantajosas?
Existem situações, no entanto, em que a contratação de dois produtos pode fazer sentido. Isso ocorre quando as coberturas são complementares.
Um exemplo é combinar um seguro que cobre perda total, roubo e furto com outro contrato voltado para danos parciais, proteção contra terceiros ou serviços de assistência 24 horas.
Nesses casos, cada contrato atende a riscos diferentes, ampliando a proteção sem sobrepor garantias.
“O mais importante é agir com transparência. Se o cliente possui duas proteções para coberturas distintas, isso deve ser informado a todas as empresas envolvidas. O problema começa quando alguém tenta utilizar dois contratos para obter vantagem financeira sobre o mesmo prejuízo. Além de perder o direito à indenização, essa conduta pode caracterizar fraude”, alerta Hugo Jordão.
Antes de contratar uma segunda cobertura, a recomendação é analisar quais riscos já estão contemplados no contrato atual e verificar se realmente existe alguma lacuna de proteção. Em muitos casos, ampliar as coberturas da apólice existente pode ser mais vantajoso do que manter dois contratos com garantias semelhantes.
