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Volume de pneus comercializados em 2025 é menor
A indústria brasileira de pneus, que reúne os maiores fabricantes do globais do setor, fechou o primeiro trimestre de 2026 com retração de 7% nas vendas no mercado doméstico, pressionada pela massiva entrada no país de produtos importados, muitas vezes com práticas de dumping e sem cumprir metas ambientais previstas na legislação, conforme apontamentos do próprio governo.
No total, foram comercializadas 8,7 milhões de unidades no 1º tri deste ano, contra 9,4 milhões no mesmo período do ano anterior, totalizando 700 mil pneus a menos no intervalo. Os dados são da ANIP (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos).
Com o desempenho, a participação dos pneus nacionais no mercado de reposição ficou em 31% contra 69% dos importados. Em 2019, esta proporção era inversa e os fabricantes nacionais detinham 69% de participação. “A falta de condições isonômicas de concorrência está colocando em risco todo o ecossistema de produção de pneus no Brasil, o que pode levar o país a uma situação de dependência do mercado internacional, com perda de soberania neste estratégico setor”, diz Rodrigo Navarro, presidente da ANIP. “Somos um país de modal predominantemente rodoviário. Pneu é insumo estratégico e medidas precisam ser tomadas para defender a indústria e fornecedores no país”, aponta o executivo.
De acordo com o relatório da ANIP, as vendas de pneus de passeio encolheram 6,8% no período analisado. Os pneus de carga recuaram 7,9%. O segmento de motocicletas apresentou estabilidade. As vendas do mercado de reposição puxaram as quedas, com retração de 8,2%. As vendas para montadoras encolheram 4,6%.
Dando continuidade ao trabalho para mudar este quadro, a ANIP ingressou no MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio) com pedido de ajuste da alíquota de importação de pneus de passeio de 25% para 35%, a exemplo do que fizeram México e União Europeia, dentre outros mercados, que elevaram barreiras tarifárias para estimular e dar preferência às suas indústrias locais.
A entidade também tem atuado em conjunto com todo o ecossistema de fornecedores da cadeia de produção (borracha, químicos, aço, têxteis) e com outros setores da indústria com desafios similares visando buscar soluções para a entrada indiscriminada de importados no país. “Em março, lançamos um Manifesto pela indústria nacional que já conta com o apoio de mais de 40 organizações e entidades. Muitos setores estão enfrentando o mesmo problema. Nossa causa é evitar a desindustrialização do país, a perda de investimentos e a eliminação de postos de trabalho” diz Navarro.
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