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A queda foi menor do que era esperado. A projeção é de que em 2021 a indústria automotiva inicie a recuperação

Na manhã desta sexta-feira (08/01), a ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) divulgou os números do fechamento de 2020 da indústria nacional. Os resultados foram fortemente impactados pela pandemia que interrompeu um ciclo de três anos de recuperação após outra crise, a de 2015/2016.

A produção em dezembro chegou a 209.296 unidades e foi considerada uma boa surpresa, apesar de todos os desafios logísticos, das limitações de insumos e dos protocolos sanitários. “A indústria fez um grande esforço para atender a demanda, para isso, trabalhou aos finais de semana e suspendeu parte das férias coletivas, mas entra em 2021 com os estoques mais baixos de sua história, suficientes apenas para 12 dias de vendas”, ressaltou o Presidente Luiz Carlos Moraes.

No acumulado do ano, os números apresentaram quedas acentuadas, mas não tão expressivas como se projetava no início da pandemia. A grande injeção de recursos emergenciais na economia e a força do agronegócio ajudaram a amenizar as perdas do segundo trimestre, quando boa parte das fábricas e lojas permaneceram fechadas. As vendas ao mercado interno fecharam com 2.058.437 unidades, queda de 26,2%, recuando ao patamar de 2016, auge da última crise econômica brasileira, durante o governo da presidente Dilma Rousseff.

A produção de 2.014.055 autoveículos caiu 31,6%,  o que deixou a indústria automobilística com uma ociosidade técnica de quase 3 milhões de unidades. No ranking global, deveremos ser superados pela Espanha (dados provisórios), e cair para a nona colocação. Já as exportações de 324.330 de unidades foram as piores desde 2002, um retrocesso de quase duas décadas. Em valores, a receita de US$ 7,4 bilhões foi menos da metade do que se exportou em 2017 (US$ 15,9 bilhões).

Caminhões perdem menos

No entanto, o segmento de caminhões, segundo a ANFAVEA, impulsionado pelo agronegócio e pelo crescimento do e-commerce, foi o que teve as menores perdas. A queda foi de 11,5% nos licenciamentos em relação a 2019. Comerciais leves caíram 16%, automóveis 28,6% e ônibus 33,4%. Já as máquinas agrícolas e rodoviárias venderam 7,3% mais que no ano passado.

No que diz respeito aos emplacamentos, a queda foi de 21,63% no acumulado do ano, também menor do que havia sido projetado pela FENABRAVE (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).

E a ANFAVEA também apresentou suas estimativas para o setor neste ano. Sendo assim, a entidade prevê aumento de 15% no licenciamento de autoveículos, 9% nas exportações e 25% na produção. Estes índices são insuficientes para a retomada a patamares de 2019, pré-pandemia. Para máquinas, a expectativa é de crescimento de 7% nas vendas, 9% nas exportações e 23% na produção.

“Nunca foi tão difícil projetar os resultados de um ano, pois temos uma neblina à nossa frente desde março, quando começou a pandemia”, explica Luiz Carlos Moraes. Infelizmente, observamos uma segunda onda de covid-19 em países do hemisfério norte, que parece ter chegado também ao Brasil. E sabemos que uma imunização pela vacina será um processo demorado, que tomará quase todo o ano, impedindo uma retomada mais rápida da nossa economia. Some-se a isso a pressão de custos, as necessidades urgentes de reformas e surpresas desagradáveis como o aumento do ICMS paulista, e temos diante de nós um quadro que ainda inspira muita cautela nas nossas previsões”, avalia o Presidente da ANFAVEA.

Por: Edison Ragassi / Foto: Divulgação FCA

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