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24/09/2026
Quais são as peças de autos mais difíceis de encontrar?
Quais são as peças de autos mais difíceis de encontrar? A chegada de novas montadoras, o aumento da circulação de veículos importados e o envelhecimento de parte da frota nacional têm dificultado a reposição de peças no país. Dependendo do modelo, proprietários e oficinas podem esperar semanas ou até meses por um componente, além de arcar com custos que, em alguns casos, inviabilizam a manutenção.
Um levantamento da Autoglass identificou quais peças são hoje as mais difíceis de encontrar no mercado brasileiro. A análise usou o banco de dados da empresa e seu sistema de estoque inteligente, que cruza histórico de demanda, perfil da frota de cada região, disponibilidade de fornecedores e probabilidade de substituição conforme o modelo e o ano do veículo. Segundo a companhia, os maiores desafios se concentram em três grupos: modelos europeus de luxo com baixa circulação, carros de marcas chinesas em expansão e veículos fora de linha.
Premium europeus dependem de importação
Entre os modelos de luxo, Ferrari SF90 Spyder, Lamborghini Huracán LP 580-2 e Maserati Levante GT estão entre os mais complexos para reposição. Em muitos casos, as peças dependem de importação e da estrutura de uma única concessionária autorizada no país, o que pode alongar bastante o prazo de entrega. Porsche Cayenne S Coupé e Porsche 911 GT3 também enfrentam dificuldade de abastecimento, com peças que podem levar de 60 a 90 dias para chegar ao Brasil.
Chineses sofrem com cadeia ainda em formação
No caso das marcas chinesas, o problema está ligado principalmente à rápida expansão e à consolidação gradual da cadeia de reposição nacional. MG4, Denza B5 e Geely EX5 apresentam maior dificuldade na obtenção de vidros, tanto pela oferta limitada quanto pela identificação correta das peças, já que muitos veículos recebem adaptações específicas para o mercado brasileiro.
Outro exemplo é a picape BYD Shark. Como esse tipo de veículo tem pouca representatividade na China, onde picapes enfrentam restrições de circulação em grandes centros urbanos, alguns componentes ainda têm oferta limitada para reposição no Brasil.
Fora de linha têm prazos imprevisíveis
O levantamento também destaca os veículos descontinuados. Modelos fora de produção há mais de uma década dependem, muitas vezes, de estoques remanescentes, remanufatura ou importação sob encomenda, o que torna os prazos imprevisíveis e pode elevar de forma significativa o custo do reparo.
Entre os exemplos estão Fiat Punto (2008 a 2012), Fiat Doblò (2010 a 2021), Volkswagen Polo (2007 a 2015) e Golf (2008 a 2014), que têm dificuldade sobretudo na reposição de componentes de iluminação. Clássicos como Chevrolet Kadett, Monza e Chevette também aparecem entre os modelos com maior dificuldade para encontrar determinadas peças.
Estoque precisa antecipar a demanda
Para Flávio Cezario, vice-presidente da Autoglass, a maior diversidade da frota exige uma gestão de estoques mais estratégica. “Hoje não basta acompanhar apenas os itens de maior giro. É preciso prever quais peças terão maior probabilidade de reposição, mesmo em veículos com baixa circulação, para reduzir o tempo de espera do consumidor e dar suporte às oficinas e seguradoras”, explica. Segundo ele, o cenário reforça a importância do planejamento logístico e do uso de dados para antecipar a demanda.
Na prática, esse tipo de sistema permite comprar com antecedência componentes considerados críticos, inclusive de modelos com menor volume de vendas no país. No segmento de vidros, a empresa afirma manter um portfólio que vai de carros populares a importados de alto valor agregado, o que reduz o impacto dos prazos de importação.
